terça-feira, 26 de junho de 2012

As atuais incoerências políticas


As eleições municipais deste ano  em João Pessoa tem maximizado uma das características mais prejudiciais à política brasileira: a incoerência.  Por que, Tarcisio? O que há de novo neste cenário?

A questão é justamente essa: não há nada de novo. É mais uma eleição em que políticos A, B e C poderiam resgatar a história de seus partidos, ideologias, militâncias e apresentar projetos coerentes com suas linhas de pensamento e atuação, mas assim não o fazem. Em outras palavras: o eleitor médio continua desnorteado entre as legendas e as coligações. O resultado disso é um pleito permeado por nomes – muitas vezes de índoles e passados duvidosos – e não por projetos ou partidos políticos.

A incoerência e a falta de civilidade já fizeram vítimas no diretório municipal do PT em março e, agora mais recentemente, mancharam o PSB em sua convenção no Lyceu Paraibano. É um soco no estômago para um observador mais atento deste período pré-eleitoral. As vítimas em março não foram de carne e osso, mas obviamente ver correligionários do PT trocando tapas e pontapés em vez de decidirem se lançariam o nome do deputado Luciano Cartaxo para eleição, machuca o caráter e a imagem dos filiados petistas de dos seus simpatizantes. Já a convenção do PSB que tira o prefeito Luciano Agra do pleito terminou com um misto indigesto de manipulação de resultados e de uma rivalidade desnecessária entre os afiliados.

Noticia mais recente é o apoio de Agra à Cartaxo, e a união do petista com Nonato Bandeira (PPS), tido como seu vice.  É no mínimo inusitada a atual ligação do prefeitável com o (ex)secretário de comunicação do seu inimigo político, o governador Ricardo Coutinho. Apesar da prevista desfiliação de Agra, o PSB ainda mantém certa identidade e coerência com sua candidata Estelizabel Bezerra, que tem grande ligação com os movimentos sociais e com a causa socialista. Por outro lado, as campanhas oposicionistas do PSDB e PMDB  trazem discursos monótonos permeados de denuncismo, asfixiando a vontade do cidadão de se engajar politicamente.

Obviamente as incoerências não se restringem a João Pessoa ou a Paraíba. Recentemente uma foto de um aperto de mão fragilizou ainda mais os ideais petistas e de grande parte da esquerda no país.



E são esses os fatores que explicam a apatia e passividade do brasileiro nos quatro anos de mandato do político escolhido por ele na urna: se os ideais e identidade partidária mudam a cada dia, nada mais nos surpreenderá nos anos seguintes às eleições.

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